19.11.06

cartograma#56

http://www.takouviski.deviantart.com

pinacoteca eletrônica do artista plástico carioca Tahian.

9.11.06

cartograma#55 - Oniros

http://www.oniros.com.br/

Poço submúltiplo de cuja água insone a vida é paródia, percalço das buscas e paragem das andanças sem rumo, impermanência, imprecisão, verve voraz que vaza as palavras, mantido pelo colega de hospício Giovani Andreoli.

3.11.06

cartograma#54 - Henry Miller

"Há um tempo em que somos tiranizados pelas idéias, em que nos transformamos em vítimas indefesas do pensamento alheio. Esta 'possessão' pelos outros sempre parece ocorrer em períodos de despersonalização, nos quais nossas identidades conflitantes desgrudam umas das outras, por assim dizem. Normalmente as idéias não nos abalam; vêm e vão, são aceitas ou rejeitadas, usadas como camisas, removidas como meias sujas. Mas nos períodos que chamamos de crises, quando o espírito perde a unidade e racha como um diamante sob golpes de marreta, essas idéias inocentes de um sonhador nos tomam de assalto, alojam-se nas reentrâncias do cérebro e por algum sutil processo de infiltração acarretam uma alteração definitiva e irrevogável da personalidade. Por fora, nenhuma grave mudança ocorre; o indivíduo afetado não assume de chofre um comportamento diferente; pelo contrário, pode até comportar-se de um modo mais 'normal' do que antes. E essa normalidade aparente vai assumindo a qualidade de um dispositivo de proteção. De uma aparência ilusória, passa à ilusão interior. A cada nova crise, porém, adquire nova consciência mais intensa de uma mudança que não é mudança, mas antes a intensificação de alguma coisa que se esconde bem no fundo de seu interior. Agora, toda vez que fecha os olhos, ele realmente consegue ver. Não enxerga mais uma máscara. Vê sem ver, para ser mais exato. A capacidade de ver sem enxergar, uma percepção fluida de tudo que é intagível: a fusão de imagem e som: o coração da teia. É aqui que brotam as personalidades distantes que fogem ao contato grosseiro com os sentidos; é aqui que os sons secundários produzidos pelo reconhecimento se entrechocam com delicadeza, resultando em harmonias claras e vibrantes. Nenhuma linguagem é empregada. nenhum contorno é delineado."


-Henry Milles, Sexus, cap.9.

26.10.06

cartograma#52

"Muitas filosofias referem-se à vista: poucas ao ouvido; menos crédito ainda dão ao tato e ao odor. A abstração recorta o corpo que sente, suprime o gosto, o olfato, o tato, conserva apenas a vista e o ouvido, intuição e entendimento. Abstrair significa menos sair do corpo do que o partir em pedaços: análise. Recuo ante a dificuldade erguendo um palácio de abstrações. (...) A alma e o corpo não se separam, mas se misturam, inextricavelmente, mesmo na pele. Assim, dois corpos misturados não formam um sujeito separado de um objeto."

-Michel Serres, Os Cinco Sentidos - Filosofia dos corpos misturados, cap.1.

cartograma#51 - estratificação...

...é o movimento de organizar camadas, matizes.

25.10.06

cartograma#50 - o campo II - fractal

cartograma#49 - terminação

a pele, o mais profundo de nós mesmos.
o mais profundo é a interface.
não há exterior nem interior, dentro ou fora.
o fora cruza adentro, o dentro verte afora.
dentro/ fora representam adensamentos da substância.
a
terminação é elemento de negociação.
a
terminação é o ponto mais profundo do corpo.
o elemento de interface, negociação.
na
terminação ocorre a partilha da sensível.

dentro/fora = variações de densidade, espessuras.

suporte rudimentar: Paint Brush.

cartograma#48 - o campo

o campo
platô de intensidade zero, plano de imanência, plano de consistência, substância.


sobre a figura: tentativa de expressão da matriz intensiva, derivada e amplificada de forma elementar com ferramentas digitais rudimentares oferecidas por softwares massivos da Kodak, com finalização gráfica precária no Paint Brush. imagem-base tomada de uma fotografia do olho, escolhida e desvirtuada como forma de apresentar o campo intensivo aquém da visão. uma caricatura do olhar. registra o ponto esparso sob qualquer ângulo de visão, procurando nossa dimensão pré-perceptiva, sensorial. sensorialidade do corpo. é necessário estabelecer uma distinção entre sensação, percepção e cognição. deslizando sob a imagem espetacular e seu entendimento, sob a função imagética do olhar e a estrutura do saber, deslizando sob os territórios, um fluxo intensivo, o campo das vibrações, das afetações. o platô com intensidade = zero atingindo a interface orgânica, pode ou não ser percebido e pode ou não ultrapassar o limiar cognitivo, na inteligência ou na memória. o plano de imanência ou de consistência é substância intensiva que atravessa a carne; deste plano de sensorialidade é que se destacarão fragmentos na forma da visão ou da imagem. no intensivo, o corpo não trabalha com a imagem; o intensivo é um abismo, a percepção é sua borda, a cognição é seu mapa.

- variações do campo ao território:

ou

- o que se passou?


zona de cor outra, zonas de cor = segmentaridade maleável, territorialidades flexíveis –ecologias, subjetividades, dimensões e matérias que atingem forma expressiva, parcial ou plenamente inteligíveis, quase-estruturas ou estruturas abertas. zonas de expressão modulada desde a substância primeira: do olho ao olhar, do olhar ao ver, imagem em movimento. zona de utilidade, identificação. zona do possível onde ele já pode ser iimaginado em evento. zona preta = segmentaridade dura. energias tangentes de captura; impulsos de permanência. forças tangentes cuja tendência é estacionária e parasitária, onde o olho, o olhar e a visão tendem ao Mesmo. movimento de circunscrição. zona do possível onde ele tende ao Mesmo. o círculo central em torno do núcleo representa a tendência massiva de centralização e organização, tendência capitalística do equivalente comum. agregação de forças dispersas no vórtex unitário, para onde tende toda a dureza que dali mesmo se irradia. zona branca = zona de fuga, escape. zonas ditas fronteiriças ou marginais. o fronteiriço e o marginal ocorrendo entre os centros e nas periferias. zonas do possível, mesmo que o possível não tenha sido convertido em evento, nem possa ser imaginado enquanto tal; alta dose de imprevisibilidade e virtude dissidente radicalmente dissidente. zona cinza = pontas de escape tanto ao dado quanto ao possível. futuros insondáveis. aquilo que ainda não existe.

a figura do campo seria melhor entendida se ganhasse espessura e profundidade, multidimensionalidade e movimento (ver figura do fractal no cartograma#50 para representação gráfica mais adequadas insinuando interpretações mais caóticas. utilizar substâncias de expansão do campo perceptivo antes.)

cartograma#47

cartograma#46 - Murilo Mendes

***

IDÉIAS ROSAS

Minhas idéias abstratas,
De tanto as tocar, tornaram-se concretas:
São rosas familiares
Que o tempo traz ao alcance da mão,
Rosas que assistem à inauguração de era novas
No meu pensamento,
No pensamento do mundo em mim e nos outros:
De eras novas, mas ainda assim
Que o tempo conheceu, conhece e conhecerá.
Rosas! Rosas!
Quem me dera houvesse
Rosas abstratas para mim.

-Poesia Liberdade, 1943-1945.

24.10.06

cartograma #45


"É como na vida. Há na vida uma espécie de falta de jeito, de fragilidade da saúde, de constituição fraca, de gagueira vital que é o charme de alguém. O charme, fonte de vida, como o estilo, fonte de escrever. A vida não é sua história; aquele que não têm charme não têm vida, são como mortos. Só que o charme não é de modo algum a pessoa. É o que faz apreender as pessoas como combinações e chances únicas que determinada combinação tenha sido feita. É um lance de dados necessariamente vencedor, pois afirma suficientemente o acaso. Por isso, através de cada combinação frágil é uma potência de vida que se afirma, com uma força, uma obstinação, uma perseverança ímpar no ser. É curioso como os grandes pensadores têm, a um só tempo, uma vida pessoal frágil, uma saúde bastante incerta, ao mesmo tempo que levam a vida ao estado de potência absoluta ou de 'grande Saúde'. Não são pessoas, mas a cifra de sua própria combinação."

-Gilles Deleuze, Diálogos, cap.1a.
c

cartograma#44 - Henry Miller

"Um pouco mais de felicidade, pensei comigo enquanto escutava as palavras do rapaz, e ele se transformaria no que se chama de um homem perigoso. Perigoso porque ser feliz o tempo todo seria atear fogo ao mundo. Fazer o mundo rir é uma coisa; torná-lo feliz é coisa muito diferente. Ninguém jamais o conseguiu. As grandes figuras, aqueles que influenciaram o mundo, para o bem ou para o mal, sempre foram figuras trágicas. Até são Francisco de Assis era um homem atormentado. E mesmo Buda, com sua obsessão por eliminar o sofrimento, não se pode dizer que tenha sido exatamente um homem feliz. Estava além disso, se preferirem: estava sereno, e quando morreu, ao que se conta, seu corpo todo fulgurava, como se a própria medula dos seus ossos estivesse em chamas."

-Henry Miller, Sexus, cap.6.

22.9.06

cartograma#43 - amor platônico

Na semana do casamento, a menstruação chega causando verdadeiro desespero na noiva que aos prantos desabafa com a mãe: "Poxa mãe, justo na semana do meu casamento tenho que ficar desse jeito! Eu sou uma desgraçada mesmo! Como vai ser na lua de mel? O meu futuro marido vai me odiar! Buáááááá!" Vendo a situação da filha, a mãe resolve conversar com o noivo a fim de tranqüilizar a noivinha neurótica. "Mas, Dona Maria' - diz o noivo - 'fale para ela não se preocupar, pois sei que a tensão do casamento pode provocar isso. Por favor, a senhora pode ir para casa tranqüila e, por favor, diga à sua filha que o ocorrido é um mero infortúnio e nada significa comparado ao tamanho de nosso amor. Diga a ela que ficaremos no amor platônico!" Aliviada, a sogra volta para casa rapidamente para acalmar a filha. "Filha! Olha, fui lá falar com o teu noivo e ele entendeu o seu problema. Ah, e ele também falou para você não se chatear que, enquanto você permanecer menstruada, vocês ficam só no amor platônico, viu?" A filha fica aliviada e, quando a mãe já estava saindo do quarto, pergunta: "Mãe! Mas o que é "amor platônico"?" "Também não sei o que é filha. Mas, em todo caso, lave bem a bunda e escove bem os dentes."

cartograma#42

O mensageiro chegou atrasado,

então anunciou o atraso dos mensageiros.

21.9.06

cartograma#41

O fluxo de vento, ventania. O fluxo dos encouraçados cruzando a Baía. O fluxo das marés, o fluxo nas ondas da maresia. O fluxo de carros e fedores na Linha Vermelha. O fluxo da miséria. O fluxo das gentes, dos coletivos, de carros cortando o mapa das avenidas do Aterro. O Aterro: fluxo da terra do Centro. O Centro é fluxo. O fluxo dos pássaros no fluxo dos odores da primavera. O fluxo dos cânticos. O fluxo dos micos no fluxo da seiva da mangueira. O fluxo das mangas no fluxo do vento. O fluxo dos cães e dos gatos atrás do fluxo das mangas. O fluxo de Lúcio e nosso fluxo por Lúcio. O fluxo em trânsito das vozes vizinhas, o fluxo de gente nas escadas de mármore. Os fluxo dos daqui cruzando com o fluxo das visitas. O fluxo das festas. O fluxo da comida na cozinha e o fluxo da louça na pia. O fluxo de Andrezza. O fluxo das plantas quebrando as linhas retas das janelas, o fluxo das flores e pendões no fluxo dos dias, fluxos de água e luz. A luz, onda, fluxo. À noite, derivas, fluxos. O fluxo da grana. O fluxo das contas. O fluxo da cerveja da fábrica à latrina. O fluxo da fumaça. A metástase: o fluxo do câncer. O fluxo da onda. O fluxo do esperma. Porra, fluxo de vida. O fluxo da neurose e o fluxo das datas no calendário. O fluxo das imagens e o fluxo das palavras. Fluxos e fluxos de sensações e o fluxo da escrita. Fluxos de afetos. Fluxo das pessoas no fluxo das amizades e amores. O fluxo das memórias e esquecimentos. Fluxos de perdas e ganhos cortando o fluxo das utopias. Fluxos e fluxos de sonhos cortando o fluxo do sono. O fluxo dos aviões cruzando céus em Paris, o fluxo da juventude nos canais de Amsterdam. Fluxos de saliva e lágrimas. Fluxos sangüíneos. Impulsos elétricos: fluxos. A matéria, vida e morte, fluxo de fluxos. A urgência: aceleração dos fluxos.

18.9.06

cartograma#40

`Would you tell me, please, which way I ought to go from here?'
`That depends a good deal on where you want to get to,' said the Cat.
`I don't much care where--' said Alice.
`Then it doesn't matter which way you go,' said the Cat.
`--so long as I get somewhere,' Alice added as an explanation.
`Oh, you're sure to do that,' said the Cat, `if you only walk long enough.'

http://www.cs.cmu.edu/~rgs/alice23a.gif

cartograma#39

`What sort of people live about here?'
`In that direction,' the Cat said, waving its right paw round, `lives a Hatter: and in that direction,' waving the other paw, `lives a March Hare. Visit either you like: they're both mad.'
`But I don't want to go among mad people,' Alice remarked.
`Oh, you can't help that,' said the Cat: `we're all mad here. I'm mad. You're mad.'
`How do you know I'm mad?' said Alice.
`You must be,' said the Cat, `or you wouldn't have come here.'

14.8.06

cartograma#22 - torção

ménage ao poetinha:

Moro no Rio de Janeiro,
minha casa tem banheira,
e uísque.

recomeçou a poesia,
neste tom.

(cartograma#22 agencia o passado)

7.8.06

cartograma#38

pé em deus e fé na tábua.

6.8.06

cartograma#37 - sabedoria popular

quem mexe o pirão é que sabe o tanto da farinha.