16.7.06

cartograma#4

Porto Alegre-Santo Ângelo, 2004.

nunca perder a viagem, primeira questão;

conferir bem a bagagem, por sugestão.

olhar a previsão; conferir sempre o clima e a passagem.

tudo exato, tudo em cima?

confiro a hora: vinte e três exata,

ainda é domingo quando deito neste berço de Ouro e Prata.


[Rodoviária, segundo semestre de 2004, rumo à URI de Santo Ângelo]

cartograma#3

domingo,

percorro a cidade a esmo,

às vezes tenso, outras faceiro.

penso já nas despedidas.

não trago mapa.

somente a palma da mão esquerda

cujos traços desconheço.

...perdi-me da cidade

-ora, que embaraço!

veja só o que aconteceu...

embaraçado entre as cidades,

descobri que a cidade sou eu.


[em deriva no último dos domingos em Porto Alegre, janeiro de 2005]

cartograma#2

De agora em diante,

para toda janela que abrires,

sol e gota, razão de arco-íris.


[Porto Alegre, Bom Fim, Jolacre, amanhecer do sol pós cartograma#1, em 2004]

cartograma#1

Pela sutileza, então, resolvi chover.

E chovi durante toda uma tarde da casa.

Chovi sem pressa e no necessário da calma,

lavando meu chão e um bom tanto da alma,

limpando no ar os meus cinco sentidos.

Na janela, agora, adiantado da hora,

toco a espessura do ar, umidade,

trago à boca uma gota,

sinto seu gosto, cheiro e leveza.


Da noite que cai, quero sonhar a beleza,

música suave que inunda e inverte a cidade.


[Porto Alegre, Bom Fim, Jolacre, num entardecer chuvoso, meados de 2004]