22.6.09

A dádiva

A dádiva. Que falar da dádiva do corpo?

O que falar do ponto onde a carne vira aquilo que reconhecemos como um sujeito, onde a carne parece assumir uma identidade própria, um rosto, um nome, quando parece fazer sentido em si mesma, angariar alguma história, tornar-se algo de uma subjetividade? O que falar da carne quando ela vira gente, quando ela pensa, quando adquire uma certa consciência de si e do seu redor, quando resgata da memória tanto uma história pessoal quanto uma história universal, carne com raciocínio puro e matemático ou abstrato, ilógico, carne artista, intelecto de referências, peito cheio de valores, arcabouço de afetos? O que falar da carne que ama, que sente medo, que angustia, que vive momentos culminantes de transe e gozo?

Existe toda esta outra espessura do corpo, espessura composta de uma fibra cujo funcionamento somente supomos qual é, dádiva da própria carne que é tornar-se alguém, individualizar-se, expressar-se singularmente menos no tempo da Terra do que no tempo de uma vida; uma carne que produz uma biografia que durante o tempo de uma vida concorre com a herança imemorial das espécies para dar-nos uma consistência propriamente individual.

Quem já conseguiu dizer como isso acontece?

Etologia e ontologia. Filogenia e ontogenia. Um corpo não é somente um punhado vivo e pulsante de carne dentro da longe corrida das espécies, mas o ponto onde um destes punhados de carne vira alguém, vira uma pessoa, e nisso ganha dia-a-dia uma consistência cada vez mais singular, radicalmente única.

É porque o corpo tem um sistema circulatório que agiliza o fluxo sangüíneo em todos os seus recantos, sim, mas também tem um sangue que ferve em circunstâncias específicas, ou porque o corpo mantém o sangue frio por método, ou quando ficas de sangue doce por preguiça, e então decretas algum domingo fora de hora, devir de herói nacional. É quando o teu corpo não só emite som, mas canta repetidamente um trecho até então perdido de alguma música de sucesso do passado, quando fala e acentua uma opinião pessoal dentro das discussões vigentes mostrando seu próprio vocabulário e seus próprios cacoetes, quando ritualiza de forma engraçada o paradoxo de uma piada, este dom, quando é reconhecido pela qualidade de um gesto, ou quando afirma veementemente uma ênfase deixando crer que aquilo é uma visceral opinião sobre o assunto.

O corpo tem esta dádiva, a dádiva de tornar-se alguém, uma dádiva que resulta em ato e faz explodir sua solidão biológica original em milhares de cadeias de relacionamento que conectam o corpo ao mundo onde ele vive: o corpo não é somente sua memória e seu pensamento em meio à cultura geral, mas sua expressão material nesta cultura geral, é toda a gama dos seus afetos, desde que eles também sejam vividos em meio aos sentimentos e frissons coletivos, é a sua linguagem deparada e reconstruída com a fala, a escrita e o gesto dos outros. A carne não só movimenta-se, mas move e articula o corpo com o que está ao seu redor, parteira de mundos: ela cria uma caligrafia, procede musicalmente, angaria algum estilo, toma de assalto alguns muros da cidade ou algumas páginas de papel; a carne dá cursos, orienta doutorandos, escreve teses, participa de bancas. Corpo cuja carne tem a dádiva de interpretar o mundo em que vive, criar e manter rituais sociais, fabricar coisas, utilizá-las, às vezes até com ganas de chegar em outra condição futura, carne que projeta e então corre atrás.

O corpo não é só um jeito de andar, mas também as pegadas que permanecem e desafiam as ondas do mar, é um correr que permanece enquanto o suor não seca das roupas, um dançar acompanhado ou só, mas também uma co-extensão da pista de dança. É o cheiro do nosso amor no travesseiro da cama. O corpo é a fome e a sede em frente a um prato e um copo, é o júbilo e os brindes, o cansaço e uma rede em estendida, a alegria e a tristeza perante condições reais de vida, o amor e o ódio que sentimos com e pelo que nos rodeia.

Por isso que já é muito termos só um corpo.

O corpo excede brutalmente a nossa carcaça de carne.

Somos senhores e senhoras de uma pequena parte da nossa individualidade. Não bastasse ser uma entidade complexa que unifica um sem-fim de procedimentos desde seu nível celular até seu nível mais global, o corpo ainda é tudo aquilo que resulta desta complexidade na forma da expressão viva de um ser, num modo de vida. O corpo estende-se pelo mundo e o mundo estende-se pelo corpo.

Muito se gastou tentando descobrir onde, exatamente, acontecem estas núpcias entre o que até então era considerado biológico e o que até então era considerado cultural. Não raro, a tendência das explicações foi acentuar o simplismo e nisso procurar mais profundamente as causas de tudo em uma das pontas de outra bifurcação à moda moderna. Outro paradoxo fundamental do corpo: falamos de uma carne em que a dádiva de produzir um modo de vida foi instalada de forma integrada e materialmente, de um corpo que age inteiro e desde suas entranhas para fabricar seu modo de vida; falamos de uma racionalidade visceral em um corpo mergulhado no mundo que, ao invés de percebê-lo de fora, amputado ou secundário, dele participa radicalmente, que afeta e é afetado, que articula e é articulado, de um corpo que dá caráter orgânico às sociedades sobre os limiares de sua diferenciação biológica original.

O corpo funde biologia e cultura numa produção única de vida.

Creio que este também seja um sentido para biopolítica.[i]

À margem do racionalismo puro ou aplicado, território da razão suficiente e das compartimentalizações, território da cultura como algo deslocada da materialidade da vida, à margem existem janelas que permitem uma imersão no materialismo. Em diferentes ciências humanas, é cada vez mais comum o tema do corpo.[ii] Diferente do tema do corpo tecnocientífico, objeto extirpado e tomado como dogmático e previsível, falamos de um corpo vibrátil[iii] e articulado que depõe tanto contra a claustrofobia da idéia como instância privilegiada quanto contra a claustrofobia de um ser extirpado do mundo. É preciso romper os vetores que recortam o corpo em si mesmo, partindo-lhe em pedaços mal realçados, e também romper os vetores que recortam o corpo de suas amarrações com o seu suposto fora. É preciso entender suas núpcias e trocas essenciais.

Interessa-nos redefinir o corpo em pelo menos dois sentidos: primeiro, num sentido propriamente individual, definindo tanto uma originalidade biológica quanto um funcionamento somático integrado e potencialmente criativo. Contrária às concepções divisionistas, esta redefinição implica não compreender ou aceitar as divisões tradicionais entre alma e corpo, entre mente e corpo. Uma tal concepção de corpo não só é contrária às concepções divisionistas como também às concepções finalistas, e assim propõe que esta carne seja dotada de uma originalidade criativa sempre nos limites da reinvenção (até mesmo genética[iv]).

Dentro e fora também são limiares. O corpo vive em co-extensão inevitável com o fora e um estudo do corpo será um estudo sobre a inscrição desta originalidade biológica na materialidade do cotidiano. Uma originalidade biológica de funcionamento integrado vai estar em co-extensão com a circunstância que ela habita: uma política do corpo sempre será também uma política das coisas e uma política da natureza, toda uma complexa poética do habitar.[v]

Nossa dádiva consiste em ter uma carne com potencial de recriar a poética do habitar cotidianamente, e assim recriar o nosso modo de vida. Para tanto, nela, tudo concorre: meu pensamento, meus afetos, minhas memórias, minhas linguagens, meus limiares de vontade e escolha, mas também minhas vísceras. Tudo isso concorre em co-extensão com o reinado das coisas e o reinado da natureza.

A dádiva acontece no coletivo, no dispositivo.

O corpo acontece no dispositivo.

Mas o dispositivo me excede. O quinhão que me resta é o corpo, e mesmo assim é um quinhão precário. Temos muito pouco domínio sobre o mundo e, aliás, temos muito pouco domínio sobre nós mesmos. Somos muito menos pensantes do que imaginamos, somos muito menos conscientes do que imaginamos. Nosso limiar de discernimento é ainda pouco perto de tudo o que passa em nosso corpo quando vivemos e nos tornamos quem somos, enquanto o mundo acontece em grande medida à nossa revelia. Nossa razão é ainda menos importante quando nos deparamos com nossos paradoxos fundamentais. A dádiva do corpo é antes ter esta capacidade precária de transfigurar a vida conforme seus limiares de vontade do que propriamente ter consciência pura de estar fazendo isso. Muito se passa às nossas costas, num outro registro. Uma pessoa, um alguém, isso é algo que caminha sempre sobre uma corda bamba, e que faz muito pouco sentido ou é um todo muito pouco coerente. Qualquer pessoa caminha por muitos limiares de despersonalização, e não são poucas as que pessoas que efetivamente definham ou somem.

O que nos cabe é viver esta dádiva precária, justamente do ponto solitário onde se está em contato direto com tudo o que nos rodeia, tendo como base a porção de nós mesmos que nós conseguimos reconhecer, utilizando os recursos que estiverem à sua mão ou forjando suas próprias ferramentas, usando tanto da sua criatividade quanto puder, de preferência procurando expandir os limiares de ação de sua vontade com o exercício cotidiano da iniciativa.

Não há nada mais a fazer.

É preciso espreitar o corpo e jogar-se nas brechas que ele nos proporciona.

Manifesto solícito. Enquanto continuarmos presos aos mesmos referenciais, às mesmas questões já tanto pisoteadas e ao mesmo tipo de alternativas que daí sempre emergiu, bom, então é certo que não teremos nem mesmo as condições necessárias para achar qualquer tipo de solução que faça fomentar a resistência; e isso para não ter que afirmar já neste momento que este tipo de solução, na forma de uma resposta unitária e messiânica, talvez nem mesmo venha ou precise existir.

Aliás, a SOMA não pretende curar ninguém.

A questão é deixar de lado o fetiche que produzimos em torno do sempre-o-mesmo, daqueles mesmos problemas e soluções, das mesmas doutrinas, idéias e práticas que atravessam uma vida como se fossem imunes, um vício de recorrência.

Ao contrário, devemos sempre ter o cuidado de incorporar e produzir outros e novos desafios, tomando os encontros como possibilidades de reformulação constante das nossas questões, principalmente as consideradas fundamentais. Não é questão de retornar sempre às mesmas perguntas para procurar respondê-las de outra forma; nunca se chegará a lugar nenhum somente repisando as mesmas antigas perguntas. É necessário sair delas, superar antigas perguntas; quando nossas questões ou nossos problemas são mal formulados ou já se tornam senis, não há forma possível de extrair deles uma solução potente.

Falar em resistir pode ser traduzido como agir com o intuito de superar, suplantar ou, no mínimo, sabotar as formas de sociabilidade que maculam a cidade contemporânea. De forma geral, porém, podemos dizer que o problema da resistência não pode ser considerado como um problema simplesmente contra-capitalista. Da mesma forma, também não é recomendado que o problema da resistência seja considerado um problema propriamente comunista ou socialista. Podemos dizer que, caso tivéssemos que optar por algum tipo de doutrinismo ou idealismo – ou algum tipo de doutrinista ou idealista –, optaríamos pela pirataria como não-doutrina e pelo pirata como seu livre navegador.[vi]

Resistir como um problema anárquico, heterotópico[vii], sempre reaberto.

É necessário afirmar que foi de posse destes tipos de doutrinismos e idealismos cultivados por muitos dos espectros da efígie-esquerda que não encontramos saídas para os obstáculos a uma livre expressão do trabalho da resistência. Por este motivo, mais do que não se identificar nestes lugares, é também contra eles que uma resistência inventa outras formas de vida; e rasga sua lista de questões.

Manifesto solícito: anarquize!

Acumulamos anos de aprendizado com o capitalismo burguês e com o comunismo burocrático; já erguemos grandes edifícios pela sua contra-indicação. Os novos ventos de uma terceira via transversal anunciam a pior das fusões: momento onde finalmente as duas faces da grande política do último século viram uma só estátua na constância do exercício do poder institucional. A militância virou ato de redundância; a crítica está abarrotada. O último fracasso da esquerda brasileira terá sido a eleição do palhaço Peri, aquele que articulava nossas esperanças de transe e riso desde 82. Pergunta-se: quê fazer da resistência? Contra aquela espécie de maçonaria capitalista, mas também contra a tristeza militante, é preciso reinventar no cotidiano a prática dissidente, uma nova postura; novas formas de re-existir. Re-conhecer a potência libertária de nossos atos para então re-fundar, senão nossa mística de esquerda, pelo menos outras formas de resistência sinistra, de potência canhota. Re-articular nosso corpo para re-fazer o cotidiano através dos bandos e coletivos.

Além da vertigem capitalista e da tristeza militante, seus horizontes sem foco, é necessária nossa anarquia como problema prático, política do cotidiano, tracejado à liberdade e ao prazer de viver uma existência em sua originalidade, articulando liberdade pessoal e alteridade numa atitude de desafio e risco presente. Acompanhando o que manifestam alguns de nossos atuais cúmplices, ali onde revelam a possibilidade de evocarmos a vida em cada um dos seus instantes, podemos furtá-los. Façamos. Mesmo que sempre seja ocasião para rever os clássicos, será preciso acompanhar os cúmplices do presente, articular os corpos vivos para uma anarquia presente que reunifique sensibilidade, pensamento e práticas libertárias entre os reinados.

Resistir: re-existir.

Forjar do cotidiano um laboratório de liberdades, de atitudes riscadas em giz sobre as aparências lisas do real, buscar os rompantes de liberdade existindo no tempo através dos novos enlaces entre sensibilidade e tradução, forjando na experiência a produção da anárquica novidade. A densidade de uma máquina de guerra[viii] não estará somente nas linhas de fuga percorridas no caos, no corpo pleno da Terra, mas também em sua re-estabilização num conjunto de linhas flexíveis tecidas entre os reinados, conhecimento e desconhecimento, des-conhecer, articular, re-articular: recombinar. A resistência transpassa a permanência tanto quanto reorganiza linhas flexíveis que negociam a realidade positivamente, genealogia de quedas tanto quanto apologia da produção e da vontade. Dupla face do caos, abismos e afirmações, levante e lucidez.

O trabalho transversal da resistência aos eixos verticais que fundam a caretice dos axiomas e rotinas finais vai tanto tentar destroçá-los quanto integrar as abruptas emoções numa nova e cotidiana consciência, num novo e cotidiano modo de vida, processo que percorre eixos também envergados, anômalos, ganhando velocidade entre as duas faces do caos. Nossos objetivos, como sempre, são o saque, o roubo e a sabotagem de idéias; a criação e a subversão de conceitos; a negociação de ferramentas; as viagens cósmicas e astrais, e seus relatos; as celebrações culinárias e as bebedeiras; o cultivo de rosas que explodem no inimigo e de carnes que possam jogá-las. O método está no limiar de ser reinventado.

Contra aquela espécie de maçonaria capitalista, mas também contra a tristeza militante, é preciso reinventar no cotidiano a prática dissidente, uma nova postura, toda uma nova forma de preguiça e indolência, de vadiagem e vagabundagem criativas.[ix]

Se o capital hoje corre com mais pressa, é porque a multiplicidade da resistência o força a fazê-lo; e justamente no ponto onde o capital adquire sua maior possibilidade de deslizamento e rarefação, atingindo sua maior possibilidade de preenchimento, é justamente aí que já começa a desabar da maneira mais estúpida. O capitalismo contemporâneo apresenta-se burro de ganância; seu esfumaçar-se o faz constantemente perder os controles que pretende em si mesmo.

Os militantes estão ainda perdidos entre os vinis empoeirados que cantam operetas cubanas ou soviéticas; e nem parecem perceber que Che Guevara já vai virando personagem de novela das nove; enquanto isso, seus quadros de governo agenciam conexões misteriosas, querendo ou ocupando com ternos bem passados as pompas e teatros da cúpula estatal, retirando dali o que pensam ser devido depois de seus tantos anos de sacrifício moral e cívico.

É na problemática da produção de diferença que poderemos situar tanto o desatino da cidade contemporânea quanto as possíveis estratégias criativas de insurreição no rumo de uma nova cidade; é nas operações em torno desta produção de diferença que poderemos encontrar tanto os mais ardilosos dispositivos de funcionamento do capitalismo contemporâneo quanto as mais eficientes estratégias de resistência para os dias de hoje.

Convém sempre relembrar a lucidez de pensadores como La Boétie, para quem o problema principal não é aquele antigo, sobre quem nos oprime ou como o faz. Para ele, nosso problema é nossa servidão voluntária. Este pensamento aponta radicalmente para nossa liberdade, aponta também um dado importante acerca da militância que temos na cidade: se nós mesmos produzimos os sistemas nos quais vivemos, e precisamos sempre falar em primeira pessoa quando o assunto diz respeito à nossa vida coletiva, quem senão nós mesmos inventará nossos novos pactos de liberdade?

São muitos os protomutantes[x] perdidos entre esta massa de comunistas; muitos mais estão perdidos entre as hordas capitalistas. São nascidos e criados, psiquiatrizados, psicanalisados, militarizados, bacharelados, empregados, aposentados e assassinados; são protomutantes julgados em posse para o bem do grande esforço de mover a roda da fortuna ou uma revolução cronometrada, protomutantes cujo principal sintoma costuma ser o alto grau de conivência ou o desespero do descaminho. Estão perdidos por todos os lugares, e são corpos sensíveis e agitadores habitando uma carcaça de gente cansada, o fôlego dos trabalhadores, o sono de estudantes, o estômago dos militantes e o tempo hostil dos desocupados e desempregados; ricos, pobres, remediados ou favelados. Ou ainda protomutantes com seus corpos em revolta, corpos batedores ou errantes, pedintes e salafrários. Talvez corpos narcotizados de informação, drogas sintéticas e apliques. Alguns mesmo burgueses e cruéis.

A grande onda dissidente abaterá esta confusa cidade contemporânea? Terá sido a onda dissidente anestesiada nas alegrias do marketing e sob o peso vermelho dos martelos e foices oficiais? Burlar a cidade contemporânea no rumo de uma nova sociabilidade só pode significar a deserção de seus circuitos autoritários, para além dos quais haverá a possibilidade de produzirmos experiências originais e singulares no cotidiano, experiências onde o desejo encontre canais para ser efetuado e expresso. Se ainda há algum sentido na palavra utopia, e não há porque descartá-la, este sentido deve remeter a uma atitude presente abertamente ligada à intensificação da experiência aqui e agora. Não haverá uma utopia que não tenha tradução na dinâmica genuína do nosso cotidiano.

Há um protomutante em potencial em cada corpo sedado ou transtornado; há um grande basta entalado em muitas gargantas e muita energia a usinar. É entre todos estes protomutantes que existem novas sensibilidades estéticas; e é no resgate dos seus corpos sensíveis que poderemos entender uma utopia contemporânea, assim como as sutilezas e as gentilezas das suas práticas e linguagens.

Falta-nos acreditar nas possibilidades

Acreditar nas transfigurações e nos apaixonamentos.

Então chutaremos o balde desta estúpida hipocondria.



[i] Ver: Peter Pál Pelbart. “Biopolítica” in Vida Capital – Ensaios de biopolítica. São Paulo: Iluminuras, 2003. p.55-59.

[ii] Para uma apresentação e uma discussão sobre o encontro entre as ciências humanas e o corpo, ver especialmente: David Le Breton. A Sociologia do Corpo. Petrópolis: Vozes, 2007.

[iii] Ver: Suely Rolnik. Cartografia Sentimental – Transformações contemporâneas do desejo. op. cit.

[iv] Ver: Paulo Vaz. “O futuro e as fronteiras do humano” in Revista Item #6. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003. p. 82-101.

[v] Jorge Goia discutiu esta condição do corpo a partir da obra de Tim Ingold. Ver: Jorge Goia. Laboratórios de uma terapia anarquista – Experiências estrangeiras com Soma e capoeira angola. Tese de doutorado em Psicologia Social. Rio de Janeiro: UERJ, 2006 & Tim Ingold. The perception of the environment – essays in livelihood, dwelling and skill. Londres: Routledge, 2000.

[vi] Ver: Hakim Bey. TAZ: Zona autônoma temporária. op. cit..

[vii] Ver: Edson Passetti. “Heterotopias anarquistas” in Revista Verve #2. São Paulo: Núcleo de Sociabilidade Libertária da PUC/SP. Out/2002. p. 141-173.

[viii] Ver: Gilles Deleuze & Félix Guattari. “1227 – Tratado de nomadologia” in Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia Vol.5. São Paulo: Ed. 34, 1997.

[ix] Guy Debord e Hakim Bey apresentam as novas formas de militância mesclando a ação política e a insubmissão com o terrorismo poético e a vagabundagem criativa; contribuem para pensar a revolta e a dissidência como virtudes hedonistas. Ver: Guy Debord. Panegírico. São Paulo, Conrad, 2002. & Hakim Bey “Caos: os panfletos do anarquismo ontológico” in CAOS: Terrorismo poético e outros crimes exemplares. São Paulo, Conrad, 2003.

[x] O termo protomutante foi cunhado por Thomas Hanna e posteriormente atualizado por Roberto Freire na caracterização do personagem Coiote, no romance homônimo. Ver: Thomas Hanna. Corpos em revolta (uma abertura para o pensamento somático). Rio de Janeiro: Edições Mundo Musical, 1972. & Roberto Freire. Coiote. São Paulo: Sol e Chuva, 1997.

Nenhum comentário: